Google Ads ou Meta Ads: qual escolher

Resposta rápida
Google Ads captura demanda que já existe: alguém procurando o que você vende. Meta Ads cria demanda em quem ainda não procurou. Se as pessoas já buscam pelo seu serviço, comece pelo Google. Se o produto depende de descoberta visual, comece pelo Meta. Operações maduras usam os dois em papéis diferentes do funil.
A pergunta chega quase sempre no mesmo formato: “o que funciona melhor, Google ou Meta?”. Ela não tem resposta porque está mal feita. As duas plataformas resolvem problemas diferentes, e a escolha depende de uma coisa só: a demanda pelo que você vende já existe, ou precisa ser criada?
A diferença que define tudo
Google Ads captura demanda existente. Alguém digita “conserto de máquina de lavar em Sorocaba” porque a máquina quebrou hoje. A intenção já está formada; o anúncio só precisa estar lá na hora.
Meta Ads cria demanda. Ninguém abre o Instagram procurando um curso de fotografia. Mas ao ver o anúncio certo, com a imagem certa, pode perceber um desejo que não tinha articulado.
Isso muda tudo: o tipo de criativo, a expectativa de conversão, o tempo até o retorno e o formato da página de destino.
| Critério | Google Ads | Meta Ads |
|---|---|---|
| Tipo de demanda | Já existe (busca ativa) | Precisa ser criada |
| Intenção do usuário | Alta — está procurando | Baixa — está navegando |
| Custo por clique típico | R$ 2 a R$ 12 | R$ 0,40 a R$ 3 |
| Custo por lead típico | Maior por clique, melhor qualificação | Menor por clique, mais triagem |
| Melhor para | Urgência, serviço local, B2B | Produto visual, desejo, oferta |
| Criativo | Texto e extensões | Imagem e vídeo curto |
| Verba mínima mensal | R$ 1.500 | R$ 900 |
Comece pelo Google se…
- Existe busca pelo que você vende. Teste no planejador de palavras-chave: se há volume mensal relevante para o termo na sua cidade, a demanda existe.
- O serviço tem urgência. Chaveiro, conserto, assistência técnica, advogado para caso específico. Quem tem o problema procura, e procura agora.
- O tíquete justifica o clique. Um clique de R$ 8 é caro para vender um produto de R$ 50 e barato para fechar um contrato de R$ 5 mil.
- É B2B. Decisor corporativo pesquisa solução no Google antes de falar com qualquer vendedor.
Comece pelo Meta se…
- O produto entra pelos olhos. Moda, estética, gastronomia, decoração, arquitetura. O antes e depois vende sozinho.
- A demanda é latente. Ninguém procura o que não sabe que existe.
- Você tem material visual. Meta sem criativo bom é dinheiro no lixo. Se não há foto e vídeo decentes, resolva isso antes de anunciar.
- O tíquete é baixo e a decisão é rápida. Compra por impulso vive melhor no feed.
O teste que resolve a dúvida em cinco minutos
Abra o Planejador de Palavras-Chave do Google e busque pelo termo que descreve o seu serviço mais a sua cidade. Se houver volume mensal consistente, sua demanda existe e o Google captura. Se der perto de zero, ou o termo está errado, ou ninguém procura — e criar demanda no Meta passa a ser o caminho.
Verba mínima: o número que ninguém fala
Existe um piso abaixo do qual anunciar é desperdiçar, porque o algoritmo não acumula dados suficientes para sair da fase de aprendizado.
A regra prática: você precisa de pelo menos 30 conversões por mês por campanha para o algoritmo otimizar bem. Trabalhando de trás para frente — se o seu custo por lead esperado é R$ 50, são R$ 1.500 por mês no mínimo.
Por isso dividir R$ 1.000 entre Google e Meta costuma render menos que concentrar tudo em um. Dois canais subfinanciados não aprendem; um canal financiado aprende e escala.
O que quebra qualquer campanha
Falta de rastreamento de conversão. É o erro mais caro e o mais comum. Sem evento configurado para clique no WhatsApp e envio de formulário, o algoritmo otimiza por clique — e passa a entregar para quem clica muito e não compra nunca.
Página de destino desalinhada. O anúncio prometeu uma coisa, a página fala de outra. O visitante sai em três segundos e você pagou por isso. Vale revisar a estrutura da página de vendas antes de subir verba.
Termos de busca sem revisão. No Google, correspondência ampla traz busca irrelevante. Sem revisar e negativar semanalmente, uma parte silenciosa da verba vai para “curso de”, “grátis”, “salário de” e nomes de concorrente.
Mexer demais. Cada alteração de orçamento ou segmentação reinicia o aprendizado. Ajuste semanal, não diário.
Erro comum
Contas pequenas concentram o maior desperdício proporcional — justamente porque ninguém tem tempo de olhar todo dia. Uma revisão semanal de termos de busca de vinte minutos costuma devolver mais dinheiro do que qualquer otimização sofisticada de lance.
O canal que quase todo negócio local esquece
Antes de qualquer verba paga, um negócio que atende presencialmente tem um ativo gratuito subutilizado: o perfil no Google. Aparecer no mapa não custa clique, e para muitos serviços locais entrega mais contato do que a campanha.
Não substitui anúncio, mas muda a conta: se metade dos contatos vier do orgânico local, o custo médio de aquisição despenca. É o tipo de ganho que se acumula, porque o trabalho de posicionamento no mapa continua rendendo depois que você para de investir — o oposto da mídia paga. Vale resolver a otimização do perfil da empresa antes ou em paralelo à mídia.
Quando rodar os dois
Faz sentido quando a verba comporta cada canal sair do aprendizado, e cada um assume um papel:
- Google captura quem já decidiu que precisa e está escolhendo fornecedor
- Meta alimenta o topo, gerando reconhecimento em quem ainda não procurou — e faz remarketing de quem visitou e não converteu
Nessa configuração o Meta não compete com o Google: ele abastece a demanda que o Google vai capturar depois. É o arranjo que sustenta crescimento, mas exige verba e paciência para medir efeito cruzado.
Por onde começar
Responda três perguntas e a decisão sai sozinha: existe busca pelo que você vende? O produto depende de imagem para ser desejado? A verba comporta um canal ou dois?
Depois, antes de subir qualquer campanha, garanta duas coisas: os eventos de conversão configurados e a página de destino coerente com o anúncio. Sem isso, os dois canais falham igual.
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